Entrevista de Emprego com entrevistadores desqualificados
Era a primeira vez. Nervosismo e excitação.
Michael esforçou-se bastante para chegar aonde estava. Apenas mais um passo para adentrar na sala de entrevistas. A expectativa era a melhor possível, afinal, o pior já havia passado.
Ele foi selecionado através de um teste, e ficou em primeira colocação. Teoria e prática: não tinha como negar, ele era bom.
- Entre por favor - Uma voz aguda do lado de dentro da sala disse.
A entrevistadora poderia ser uma mulher com o aspecto severo, rígido, e com um olhar impassível. Ou poderia ser alguém simpática, sorridente e que deixasse todos confortáveis. Isso foi o que Michael pensou, mas no lugar havia uma mulher de aspecto muito cômico. Se não estivesse tão empolgado ou em outra situação, com certeza ele iria gargalhar. Ela trajava uma skinny jeans laranja-berrante, que não caia bem nas suas pernas curtas e finas, um blusa preta de babadinhos brilhantes e um blaze azul-marinho por cima. Usava um óculos de aros grossos, batom vermelho e o cabelo artificialmente liso. Michael estava na sala havia uns minutos, e então resolveu sentar numa poltrona uma vez que não fora convidado a sentar nas cadeiras dos entrevistados. A mulher tagarelava com sua voz fina no telefone, e uma vez ou outra berrava alguma coisa para alguém que estava numa sala ao lado.
- próximo.
Michael sentou, uma postura razoável para uma cadeira velha e de quinta.
- Nome? - ela perguntou olhando para um pedaço de papel amassado.
- Michael Jack da Silva.
- Hmm... - ela remexeu alguns papéis sobre a mesa, encontrou uma caneta de baixo de um emaranhado de coisas e então fez uma anotação no pedaço de papel amassado.
- Quanto cômodos tem a sua casa? - Ela pela primeira vez olhou fixamente para o entrevistado.
- Cinco ou seis... - Respondeu Michael após um rápida contagem mental, afinal, estava ansioso pelas perguntas mais inteligentes que logo viriam.
- Onde sua mãe trabalha? - ela não o encarava mais, agora abria as gavetas da mesa e procurava algo nelas.
- Ela é diretora da escola PISS-OFF
- Essa não é uma escola técnica? - perguntou demonstrando um falso interesse.
- Não, não... é uma escola normal, ensino fundamental...
- Tenho certeza que é! Pelo nome... - ela retirou o blaze e olhou para o teto.
Uma longa pausa. Um telefone toca. A entrevistadora atende rapidamente. Conversou cerca de dez minutos, esquecendo o entrevistado por completo. Após alguns pigarros de aborrecimento de Michael, ela o olha de esguelha e então diz "tenho que desligar, depois agente conversa mais sobre isso ok? beijo".
O papel amassado agora estava completamente rabiscado, pois enquanto conversava animadamente no telefone, ele servia como distração.
- Quantos anos sua mãe tem?
- 46, 47... Nessa faixa etária - Michael lembrou que havia três anos que sua mãe completava a mesma idade. Ela nunca revelava a verdadeira.
- Em que ano ela nasceu?
- Não sei, se eu soubesse eu saberia a idade exata dela, não?
- Meu Deus! Eu imagino como deve ser o relacionamento com sua mãe... no aniversário dela, o que você faz? Como você sabe? Dá algum abraço? - Ela o fitava incredulamente.
- (ô anta - ele disse mentalmente) Ela faz aniversário dia 25 de Abril. Eu não disse que não sabia a data do aniversário dela! Eu disse que eu não sabia a idade!! - disse Michael, lembrando dos bolos de aniversário de casa que tinham velas com a sua idade, extintos depois dos seus 12 anos.
- Hum... ok Michaelzinho, pode se retirar - terminou com um sorrisinho falso, a voz ainda mais aguda, limpando o ouvido com a tampa da caneta e tirando o telefone do gancho.
Depois de uma semana, Michael recebe o resultado: não fora aceito para a empresa.
Afinal, que funcionario exerceria um bom papel em uma empresa se não sabe a idade da mãe?
E qual funcionária metida a power-star vai de skinny jeans laranja-berrante, tamanco e blaze azul-marinho para o serviço? Uma entrevistadora de merda moto-cross.
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sábado, 19 de abril de 2008
terça-feira, 4 de março de 2008
Mecânica de Manutenção Industrial
Eu queria muito começar esse post dizendo que a vida vai bem, obrigado.
Se era isso o que você queria ler é melhor parar nessa segunda linha;
Acredite que eu levo uma vida excessivamente confortável, sem preocupações e estress. E no final de semana ainda dou um rolê com os amigos pela cidade. Ou saiba o que realmente acontece comigo:
Você deve saber o que é sentir-se aliviado estudando o que realmente gosta e o que sempre desejou pra sua vida. Algo que realmente lhe dê prazer. Um pesadelo pensar em estudar algo torturante, algo cheio de graxa, correias, esmeris, faiscas, roldanas, óleo, calor... Pois é, saiba que acabei de descrever o que faço nas manhãs de Segunda à Sexta. Uma maravilha não? Uma fábrica de felicidade pra quem gosta da coisa, o que não é o meu caso. E nem de muitos que naquela escola jazem. Isso poderia me confortar financeiramente no futuro, mas o que seria de um profissional com um carro de uma geração (sonha alto ainda por cima) frustrado? Sem perspectivas? Sem ânimo? Triste.
Realmente triste.
Conheço gente que desde criança sempre sonhou em viver disso ou daquilo. Música ou Teatro. Medicina ou Matemática. E teve uma parte do sonho bloqueada por causa de uma coisa só: Cursos Profissionalizantes. Poderia utilizar meu tempo perdido fazendo algo útil e agradável: estudar o que realmente quero. Mas não.
"É meu filho, começou, agora termina" minha consciência grita.
Bola pra frente, afinal, não é de graxa que se vive a vida!
Amanhã vou terminar de esmerilhar minha peça de cabeça erguida. Não sei o por quê. Talvez isso realmente sirva pra algo no futuro, ou tenha me trazido informações que certamente estarão ultrapassadas daqui a um tempo (e precisem de mim pra contar-lhes sobre a pré-história mecânica e industrial no Brasil). Vai saber.
Se era isso o que você queria ler é melhor parar nessa segunda linha;
Acredite que eu levo uma vida excessivamente confortável, sem preocupações e estress. E no final de semana ainda dou um rolê com os amigos pela cidade. Ou saiba o que realmente acontece comigo:
Você deve saber o que é sentir-se aliviado estudando o que realmente gosta e o que sempre desejou pra sua vida. Algo que realmente lhe dê prazer. Um pesadelo pensar em estudar algo torturante, algo cheio de graxa, correias, esmeris, faiscas, roldanas, óleo, calor... Pois é, saiba que acabei de descrever o que faço nas manhãs de Segunda à Sexta. Uma maravilha não? Uma fábrica de felicidade pra quem gosta da coisa, o que não é o meu caso. E nem de muitos que naquela escola jazem. Isso poderia me confortar financeiramente no futuro, mas o que seria de um profissional com um carro de uma geração (sonha alto ainda por cima) frustrado? Sem perspectivas? Sem ânimo? Triste.
Realmente triste.
Conheço gente que desde criança sempre sonhou em viver disso ou daquilo. Música ou Teatro. Medicina ou Matemática. E teve uma parte do sonho bloqueada por causa de uma coisa só: Cursos Profissionalizantes. Poderia utilizar meu tempo perdido fazendo algo útil e agradável: estudar o que realmente quero. Mas não.
"É meu filho, começou, agora termina" minha consciência grita.
Bola pra frente, afinal, não é de graxa que se vive a vida!
Amanhã vou terminar de esmerilhar minha peça de cabeça erguida. Não sei o por quê. Talvez isso realmente sirva pra algo no futuro, ou tenha me trazido informações que certamente estarão ultrapassadas daqui a um tempo (e precisem de mim pra contar-lhes sobre a pré-história mecânica e industrial no Brasil). Vai saber.
Modern Times - Chaplin